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Projeto Onçafari e Refúgio Ecológico Caiman

O artista plástico Gustavo Rosa e a estilista Clo Orozco adoram felinos. Para provar esse amor, doaram desenhos com suas versões da Onça Pintada, o maior felino das Américas, para estampar camisetas. A venda das peças será revertida para o Projeto Onçafari e para a SOS Mata Atlântica.

Dois paulistanos estão à frente da iniciativa. O primeiro é o ex-piloto e campeão de F.3 Mario Haberfeld, que largou as pistas para se dedicar à habituação de felinos no Refúgio Ecológico Caiman, no pantanal sul-matogrossense. A ideia segue o que já acontece na África, onde leões e leopardos convivem, habituados, com veículos e pessoas em safáris.

O outro é o empresário Roberto Klabin, dono do Refúgio Ecológico Caiman e presidente da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal. Klabin cedeu ao amigo Haberfeld um extenso território dentro da Caiman para estudos de observação, conservação e habituação da Onça Pintada. O Projeto Onçafari terá seu batismo em agosto, auge da alta temporada, no Refúgio Ecológico Caiman.

Sobre o Projeto Onçafari

Embora possua a maior biodiversidade encontrada no planeta, o Brasil ainda está engatinhando na área de ecoturismo. A falta de estrutura e de projetos realmente sustentáveis leva os brasileiros a desistirem de conhecer o ecossistema do país e a se aventurarem em outras regiões “selvagens”, como o Polo Norte e a África. Além de instalações luxuosas e confortáveis, esses locais triunfaram na habituação de animais selvagens, que já estão acostumados com a presença de automóveis e humanos, facilitando o contato — mesmo que a uma distância segura — com essas belas e livres criaturas.

É com esse espírito que nasce o Projeto Onçafari, com sede no Refúgio Ecológico Caiman (REC), no Pantanal. Muito mais complexo e abrangente que um simples safári, o projeto visa habituar felinos à presença de veículos que circulam durante os safáris promovidos no local.

Também é atribuição do projeto aumentar e preservar a fauna e a população de felinos na região, o que tem dado excelentes resultados graças a um trabalho árduo de pesquisas e análises da equipe do Onçafari. O projeto abre caminho para uma nova técnica de conservação de animais no Brasil, por meio do turismo de observação e do ecoturismo.

Adaptando técnicas bem-sucedidas de habituação de animais selvagens na África do Sul, o Projeto Onçafari replica essa experiência com a Onça Pintada, maior felino das Américas e animal símbolo da iniciativa.

É importante frisar que o processo não envolve métodos de domesticação ou qualquer atitude que desequilibre o habitat onde vivem esses animais, que continuarão 100% selvagens. A ideia é acostumá-los à presença de veículos que carregam turistas. Com o tempo e certas técnicas, eles param de enxergar os veículos como ameaça, como se fizessem parte do cenário pantaneiro.

A preservação da fauna local vai muito além da onça e envolve outros animais que compõem o ecossistema pantaneiro e enriquecem a experiência Onçafari: jacarés, capivaras, ariranhas, macacos-prego, veados-campeiros, lobos-guará, cervos-do-pantanal, tatus, bichos-preguiça, tamanduás, lagartos, cágados, jabutis e cobras como a jibóia e a sucuri. Os pássaros, coloridos e falantes, realizam um espetáculo à parte, como tucanos, garças, papagaios, araras, emas, tuiuiús e gaviões. Para quem gosta de pescar, o Pantanal ainda oferece peixes típicos como dourado, pintado, curimbatá, pacu e piranha, entre outros.

A área de estudo do Projeto Onçafari compreende a região do Pantanal de Miranda, especificamente os domínios do Refúgio Ecológico Caiman, num total de 53 mil hectares. Algumas avaliações sobre uso de habitats e percepções também serão feitas nas fazendas do entorno imediato. Já a quantificação da população de onças-pintadas será obtida por dispositivos fotográficos e pela observação direta de indivíduos com foto-documentação.

O projeto pretende servir como modelo de preservação sustentável a ser replicado por todo o Pantanal, e quem sabe por todos os ecossistemas brasileiros, além de gerar empregos e preservar as espécies e o bioma pantaneiro — a maior área alagada do mundo, cuja grande diversidade de fauna e flora está adaptada às mudanças entre períodos alagados e secos.

Sobre o Refúgio Ecológico Caiman

Com uma área de aproximadamente 53 mil hectares, a Estância Caiman, hoje Refúgio Ecológico Caiman (REC), surgiu em 1985. A denominação REC reúne três atividades que dividem o mesmo espaço físico: a Estância Caiman (fazenda de criação extensiva de gado de corte), a Pousada Caiman (operação de ecoturismo pioneira no Pantanal de Mato Grosso do Sul) e o Programa de Conservação da Natureza.

Esse programa, além de parceiro de projetos científicos como o Projeto Arara-Azul e o Projeto Papagaio-Verdadeiro, desenvolve amplo contato e intercâmbio com universidades e mantém uma Reserva Particular de Patrimônio Natural de 5,6 mil hectares.

Todas essas atividades têm como objetivo a troca de informação e experiências, com uma interdependência gradual entre elas. O resultado é maior controle das ações econômicas e ambientais, que buscam sempre a sustentabilidade da presença do homem no Pantanal, em harmonia com o meio ambiente.

Acomodações

O Refúgio Ecológico Caiman é formado por duas pousadas — Baiazinha e Cordilheira —, com operações independentes. Em ambas, o hóspede tem o mesmo contato com a fauna, a flora e a cultura pantaneira, além do mesmo padrão de serviço: piscina, ar condicionado nos apartamentos, banheiros privativos com banho aquecido, fontes de corrente alternada de 110 volts, sala de estar com TV e DVD, bar e restaurante.

Já na infraestrutura central da fazenda, os hóspedes contam com central de telefonia e fax, acesso à internet, enfermaria, loja de souvenires e sistema de rádio — o que facilita a comunicação e a segurança em toda a área da fazenda, entre guias, supervisores e gerências, tanto da operação hoteleira quanto da pecuária.

Com o formato de uma ave de asas abertas, a Pousada Baiazinha fica a 9km da Sede. Sua estrutura sobre palafitas sustenta seis apartamentos standard duplos, com capacidade para até 12 pessoas. Situada às margens de uma baía de águas claras, proporciona um ambiente mágico e acolhedor aos hóspedes.

Já a Pousada Cordilheira dispõe de 5 suítes com quarto e sala duplos, com capacidade para até 10 pessoas. Localizada a 13km da Sede, foi construída com tijolos e erguida sobre palafitas. Situada às margens de uma mata de cordilheira, integra-se perfeitamente à natureza que a rodeia.

Em todas as pousadas, o valor da diária inclui pensão completa (café da manhã, almoço e jantar), lanche durante os passeios, all inclusive de bebidas (exceto alcoólicas) e atividades regulares — como caminhada, safári fotográfico e cavalgada —, sempre com acompanhamento dos guias. Só não estão inclusos traslados e taxa ambiental.

Refúgio Ecológico Caiman
Estância Caiman S/N – Pantanal – Zona Rural – MS
Reservas: (11) 3706-1800 ou caiman@caiman.com.br
www.caiman.com.br

Redação JS
Redação JS
A Redação do Jornal Savassi reúne os jornalistas e colaboradores responsáveis pela cobertura diária de Belo Horizonte. Fundado em 1985 por João Euclides Prata Salgado, o Jornal Savassi cobre cultura, gastronomia, negócios, comportamento e o dia a dia da cidade. Sugestões de pauta: js@jornaldasavassi.com.br