Minas Gerais reúne cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas, com presença em mais de 800 municípios, e uma cadeia produtiva que fornece insumos para siderurgia, celulose, papel, embalagens, construção, higiene, energia e indústria têxtil. É esse conjunto que a Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) apresenta como uma das matérias-primas estratégicas da transição para uma economia de baixo carbono.
Para a presidente executiva da entidade, Adriana Maugeri, o setor defende uma mudança na forma de enxergar essa produção. “A madeira é uma matéria-prima renovável, versátil e capaz de substituir insumos de origem fóssil em diferentes cadeias. Minas Gerais tem uma vantagem competitiva construída ao longo de décadas, com conhecimento, tecnologia, produtividade e uma indústria instalada. Por isso, podemos tratar a madeira como um verdadeiro ouro verde do estado”, afirma.
A dimensão da cadeia aparece no destino da matéria-prima. Estimativas do setor indicam que ela pode dar origem a cerca de 5 mil produtos e aplicações. Papel e embalagens são os exemplos mais conhecidos, mas a mesma base florestal está ligada à produção de celulose solúvel, a fibras usadas pela indústria têxtil, a painéis, componentes para construção, produtos de higiene e insumos industriais.

Em Minas, o carvão vegetal produzido a partir de florestas plantadas é usado na siderurgia como alternativa aos combustíveis fósseis, permitindo a produção de ferro e aço com menor intensidade de emissões na comparação com rotas baseadas em carvão mineral. “A discussão sobre madeira precisa sair do campo exclusivamente florestal e chegar à indústria. Quando uma árvore é transformada em fibra, embalagem, painel, produto de higiene ou insumo siderúrgico, estamos falando de uma cadeia industrial que agrega valor a uma matéria-prima renovável”, explica Adriana.
Potencial de expansão
O Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares de florestas plantadas e condições climáticas que favorecem a produtividade elevada. Em determinadas culturas, o ciclo do eucalipto pode chegar a cerca de sete anos, resultado de décadas de pesquisa genética, seleção de materiais e técnicas de manejo. Segundo a AMIF, a expansão pode ocorrer sem avanço sobre áreas de vegetação nativa, com o uso produtivo de áreas já abertas e degradadas aliado à conservação de remanescentes naturais. As áreas associadas à atividade florestal em Minas mantêm cerca de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa conservada.
“A floresta precisa ser planejada de acordo com o território, o solo, o clima, a finalidade da produção e a necessidade de conservação. É por isso que estamos trabalhando com o conceito de florestas pensadas. Não se trata apenas de plantar árvores, mas de definir qual floresta faz sentido para cada lugar e para cada finalidade”, afirma a presidente executiva.
A cadeia também tem forte presença fora dos grandes grupos empresariais: mais da metade da produção florestal mineira está associada a pequenos e médios produtores, o que amplia o alcance econômico da atividade no interior do estado. O setor aponta ainda um caminho semelhante ao das biorrefinarias — assim como o petróleo deu origem a diferentes produtos da economia tradicional, a biomassa florestal pode ser transformada em materiais e insumos variados para uma economia baseada em carbono renovável.



