Uma empresa brasileira de sementes para pastagens começou a validar forrageiras tropicais em solo americano. A Semembrás firmou parceria com a Universidade do Tennessee para avaliar gramíneas selecionadas no Brasil como alternativa de alimentação para rebanhos durante o verão dos Estados Unidos. Os experimentos tiveram início em maio, e os primeiros resultados serão apresentados em setembro.
A iniciativa ataca um problema típico da pecuária norte-americana. No chamado Fescue Belt, região que reúne cerca de 15 milhões de hectares de pastagens, predominam espécies adaptadas ao frio. Com a chegada do verão, essas forrageiras perdem produtividade e deixam os rebanhos sem alimento suficiente.
“Quando chega o verão, as forrageiras utilizadas atualmente lá perdem produtividade. Nossa proposta é avaliar materiais capazes de suprir essa demanda justamente nesse período”, explica Hemython Luis Bandeira do Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Semembrás.
A empresa enviou três materiais para os ensaios: Urochloa ruziziensis, Urochloa brizantha e um mix de forrageiras. O trabalho é conduzido em parceria com Bruno Pedreira, diretor do Beef & Forage Center do Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee, pesquisador com passagem pela Embrapa. São cinco épocas distintas de plantio, que devem indicar quais materiais se adaptam melhor ao clima e ao calendário agrícola da região.
Para Pedreira, a integração entre universidade e produtores é o que dá força à pesquisa. “Os produtores acompanham os experimentos e, com base nos resultados, decidem que forrageira utilizar na sua propriedade. A nossa intenção é oferecer novas alternativas para os produtores do Tennessee, aumentando a diversidade e resiliência dos nossos sistemas de produção com base em patentes”, diz.
Em setembro, a universidade promove um dia de campo para apresentar o desempenho das cultivares brasileiras em condições reais. “Estamos muito empolgados com o que será revelado no evento, afinal, os resultados preliminares já são muito positivos”, adianta Nascimento.
Além do valor científico, a parceria abre caminho para a semente brasileira ganhar um mercado que remunera bem. “Temos capacidade para produzir sementes com a qualidade exigida por esse mercado, com volume e preço para atender essa demanda. É uma oportunidade importante ampliando a nossa presença internacional”, finaliza Nascimento.



