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Mostra na Casa Fiat de Cultura reúne Tarsila, o Fiat 147 e o Uno que Senna deu a Galisteu

O Fiat Uno que Ayrton Senna deu de presente a Adriane Galisteu nos anos 1990 está estacionado a poucos metros de uma pintura de Tarsila do Amaral, na Praça da Liberdade. A cena resume a aposta de “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade”, que ocupa todos os espaços da Casa Fiat de Cultura até 11 de outubro, com entrada gratuita.

São mais de 250 peças — 112 delas obras de arte —, distribuídas entre automóveis, fotografias históricas, 17 looks de moda, instalações e vídeos. É a primeira vez que a instituição estende a montagem para os jardins, onde cápsulas ao ar livre abrigam parte dos carros.

A mostra marca uma dobradinha de datas: os 20 anos da Casa Fiat de Cultura e os 50 anos da Fiat no Brasil. A conexão com Minas é o fio que costura boa parte do percurso — a fábrica de Betim, inaugurada em 1976, aparece em registros de época, incluindo a visita do então presidente Juscelino Kubitschek ao complexo.

Crédito: Divulgação

“Em um ano tão representativo para a instituição, esta exposição conta uma história que pertence a todos nós”, diz Massimo Cavallo, presidente da Casa Fiat de Cultura. “Celebramos não apenas uma trajetória da marca, mas principalmente a riqueza da cultura brasileira e sua capacidade de conectar pessoas, tempos e territórios.”

Os carros que viraram história

Os automóveis estão agrupados menos pela ficha técnica e mais pela memória que carregam. Ao lado do Uno de Galisteu estão o Palio Weekend autografado pelos jogadores do pentacampeonato de 2002 e o Fiat Idea usado pelo Papa Francisco na visita ao Brasil em 2013.

O Fiat 147 ganhou lugar de destaque por um motivo objetivo: foi o primeiro carro a álcool produzido em série no mundo. Também estão expostos dois conceitos — o Dolce Camper, que aparece pela primeira vez para o público mineiro, e o Mio, desenvolvido em 2010 a partir de sugestões de mais de 17 mil pessoas em 160 países.

Crédito: Divulgação

“Cada um deles carrega histórias e experiências que ajudam a compreender diferentes momentos da sociedade brasileira. Eles falam sobre trabalho, lazer, fé, conquistas, sonhos”, afirma Marcos Rozen, curador da mostra e fundador do Museu da Imprensa Automotiva.

Tarsila, Portinari e o Carnaval

O recorte de arte vai dos anos 1930 até hoje. Estão lá a pintura monumental Fábrica (1962), de Djanira da Motta e Silva, além de trabalhos de Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Guignard, Di Cavalcanti, Volpi, Rubens Gerchman, Wanda Pimentel, Regina Silveira, Cláudio Tozzi e Beatriz Milhazes. As fotografias de Marcel Gautherot e Thomaz Farkas completam o retrato de um país em obras.

Núcleos separados tratam do que de fato acontece na rua: Carnaval, futebol e religiosidade. O pernambucano Derlon assina uma obra criada especialmente para a exposição, em linguagem de xilogravura e grafite.

Crédito: Divulgação

A curadoria de moda, de Mercedes Tristão, reúne peças de Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, Jum Nakao, João Pimenta, Osklen, Lenny Niemeyer, PatBO e Flavia Aranha, entre outros. A curadoria geral é de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen.

Vale lembrar que quem for à Casa Fiat encontra, em exibição permanente, o painel Civilização Mineira, que Portinari pintou em 1959 para o Palácio dos Despachos — o edifício histórico onde o centro cultural funciona.

Serviço

“Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura”
Até 11 de outubro de 2026
Casa Fiat de Cultura — Praça da Liberdade, 10, Funcionários, Belo Horizonte
De terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Fecha nas segundas
Entrada gratuita
Informações: casafiatdecultura.com.br

Redação JS
Redação JS
João Euclides Prata Salgado é fundador do Jornal Savassi, criado em 1985 em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura, comportamento e a vida da cidade.

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