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Piccin detalha regulagem da Master 3000 D Cafeeira no manejo do solo

Calcário, gesso, adubos químicos, esterco, cama de frango, palha de café e pó de rocha podem até dividir o mesmo talhão, mas não se comportam da mesma forma dentro de um distribuidor. A densidade, o tamanho das partículas, a umidade e o volume de cada material alteram o fluxo na máquina e a uniformidade da aplicação — e é aí que aparecem as faixas de excesso e de falta na lavoura.

A quantidade de cada insumo, segundo o engenheiro agrônomo Henrique Moscatelli, começa a ser definida na análise de solo, que indica o que a lavoura precisa. No café, a avaliação pode incluir camadas mais profundas, sobretudo quando há recomendação de gesso.

“Sem a análise, o produtor não sabe o quanto aplicar. Na operação, a calibração precisa ser feita com o próprio produto que será utilizado e repetida sempre que houver mudança”, afirma Moscatelli, responsável pela área de inteligência de mercado e marketing da Piccin Equipamentos.

O que cada insumo faz no solo

O calcário corrige a acidez, neutraliza o alumínio tóxico e fornece cálcio e magnésio. O gesso leva cálcio e enxofre às camadas mais profundas, o que favorece o desenvolvimento das raízes e o acesso à água em períodos de menor disponibilidade hídrica.

A adubação química repõe nutrientes retirados pela planta ao longo das safras. No café, nitrogênio e potássio estão entre os elementos mais exigidos e os demais completam a nutrição. “A aplicação costuma ser parcelada durante o período de chuvas”, pontua o especialista.

Já esterco, cama de frango e palha de café devolvem matéria orgânica e nutrientes ao solo e ajudam na estrutura, na retenção de água e na atividade microbiológica. O pó de rocha entra como remineralizador e libera potássio, cálcio e magnésio de forma gradual, podendo complementar a adubação convencional.

Por que a distribuição falha

Fertilizantes granulados são densos e alcançam uma faixa ampla de lançamento, o que pede atenção quando a dose recomendada é baixa. Calcário e gesso têm partículas finas que, em contato com a umidade, formam aglomerados e aderem às superfícies internas da caixa. O resultado pode ser um “túnel” sobre a esteira: o produto de baixo desce, o de cima fica parado, e a falha nem sempre é percebida pelo operador.

Nos orgânicos, o desafio está no volume e na irregularidade. Esterco e cama de frango podem trazer torrões e diferentes níveis de umidade, enquanto a palha de café pesa pouco e ocupa muito espaço. Materiais leves também são lançados a distâncias menores, exigindo ajustes na largura de distribuição.

“Cada material se comporta de um jeito dentro da máquina. Quando o mecanismo de distribuição não acompanha essas características, o resultado aparece no talhão, com faixas de excesso e falta e plantas recebendo doses diferentes na mesma rua”, afirma Moscatelli.

Crédito: Divulgação

Três ajustes que mudam a dose por hectare

Na Master 3000 D Cafeeira, da Piccin, três regulagens interferem diretamente na operação: velocidade da esteira, abertura da comporta e largura de trabalho. A combinação entre velocidade e abertura define a vazão, e a esteira pode ser configurada conforme o volume e as propriedades físicas do insumo.

Produtos aplicados em doses menores, como os fertilizantes químicos, tendem a exigir menor abertura de comporta e velocidade reduzida da esteira. Calcário, esterco e outros materiais usados em volumes maiores pedem ajustes compatíveis com a quantidade a ser distribuída.

A máquina tem esteira dupla, o que permite alterar a largura de trabalho. Com os suplementos laterais instalados, a configuração fica em 400 milímetros, indicada para aplicações de menor volume. Sem esses componentes, passa a 800 milímetros, ampliando a capacidade para calcário, esterco e palha de café.

“Durante o trabalho, a velocidade do trator deve permanecer constante e o operador precisa verificar se o material está chegando ao ponto correto de deposição. No café, a aplicação localizada normalmente é feita na projeção da copa. Em operações a lanço, também é necessário considerar as condições de vento”, detalha o engenheiro agrônomo.

A manutenção afeta o desempenho. Depois da operação, especialmente com fertilizantes químicos, o equipamento deve ser lavado para evitar corrosão. Palhetas e esteiras precisam ser verificadas quanto ao desgaste, assim como os pontos de lubrificação indicados pelo fabricante.

Um equipamento, várias operações

A Master Cafeeira é um distribuidor de arrasto feito para operar nas ruas do cafezal. Tem 1.580 milímetros de largura e capacidade para 3.000 quilos, podendo ser tracionado por tratores de 50 cv. Está disponível nas versões 3000 D, acionada pelo cardan do trator, e 3000 DH1, com acionamento semi-hidráulico que facilita as manobras.

No centro do sistema está a Esteira Precisa, componente metálico patenteado pela Piccin que conduz o produto do fundo da caixa até os discos de distribuição. “A geometria do componente mantém o fluxo mais constante e reduz a formação de túneis, uma das dificuldades encontradas na aplicação de materiais finos, como calcário e gesso”, destaca o especialista.

A configuração permite usar o mesmo equipamento com ureia, cloreto, calcário, gesso, composto orgânico, palha de café e pó de rocha. Para cada produto, a máquina pode receber suplementos laterais, extensão da caixa para materiais leves e tela de proteção, que retém pedras e torrões antes que cheguem à comporta e à esteira.

O distribuidor faz aplicações localizadas nos dois lados da planta, em apenas um lado ou em área total. O direcionador ajusta o ponto de queda, o divisor de ladeira ajuda no equilíbrio da distribuição em terrenos inclinados e o protetor de plantas instalado à frente do rodado reduz o contato com galhos e ramos.

Segundo o responsável pela área de inteligência de mercado e marketing da Piccin, a vantagem de reunir diferentes insumos em uma única máquina aparece também nos custos e na logística da propriedade: menos equipamentos específicos, menos máquinas para manter e armazenar, menor necessidade de treinamento e mais agilidade na troca de operação. “No café, isso é importante porque a correção do solo, a adubação e o aproveitamento de materiais produzidos na própria fazenda acontecem em diferentes momentos do ano”, finaliza.

Redação JS
Redação JS
João Euclides Prata Salgado é fundador do Jornal Savassi, criado em 1985 em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura, comportamento e a vida da cidade.