A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais apresenta o concerto “Diálogos” no dia 5 de novembro, quinta-feira, às 20h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte. A apresentação integra a temporada de 50 anos da orquestra e terá regência do maestro convidado Hilo Carriel, com um programa dedicado a Glinka, Mozart e Tchaikovsky.
Três obras de períodos e origens distintas formam o repertório, escolhidas para colocar lado a lado maneiras diferentes de compor. A noite começa com a Abertura da ópera “Ruslan e Lyudmila”, de Mikhail Glinka (1804–1857). Estreada em São Petersburgo em 1842, a ópera parte de um poema de Aleksandr Pushkin (1799–1837) que narra a busca do herói pela amada, levada por um feiticeiro; a abertura, de ritmo vibrante e virtuosismo, é hoje uma das páginas mais conhecidas do autor. A escrita de Glinka cruza referências da tradição italiana com melodias eslavas.
Depois é a vez do “Concerto para Clarinete em Lá Maior”, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791), com o clarinetista Tiago Silva, músico da própria orquestra, como solista. Composto em Viena em 1791 e dedicado ao clarinetista Anton Stadler (1753–1812), o concerto tem três movimentos e alterna passagens ágeis com trechos mais contemplativos, explorando os diferentes registros do instrumento.

O encerramento fica com a “Sinfonia nº 2 em Dó Menor”, conhecida como “Pequena Rússia”, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840–1893). Escrita em 1872, durante uma temporada do compositor em Kamenka, na Ucrânia, a obra ganhou o apelido por incorporar melodias populares da região a quatro movimentos que passam por trechos marciais, dançantes e variações sobre canções tradicionais. Estreada em Moscou em 1873, foi depois amplamente revisada pelo próprio autor.
Um regente amazonense
Natural de Itacoatiara, no Amazonas, Hilo Carriel é mestre em Regência pelo Peabody Institute, da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, onde estudou com a maestra Marin Alsop. Passou pelos programas de aperfeiçoamento da Orquestra Sinfônica de Baltimore (2018–2019) e da Filarmônica de Los Angeles (2019–2020). No Brasil, atuou como regente convidado da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, da Amazonas Filarmônica e da Orquestra de Câmara do Amazonas. Hoje dirige o Coral Jovem e ensina regência no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, em Manaus, e integra a Academia Amazonense de Música como membro mais jovem, aos 35 anos.

O programa nasceu do concerto de Mozart. Para o maestro, a amizade do compositor com Stadler ajudou a moldar uma escrita que percorre os registros do clarinete, “de forma que é possível ouvir claramente uma conversa entre duas pessoas ao longo da obra”. A partir daí, Carriel buscou obras que conversassem com a tradição clássica mozartiana — caso de Glinka, que, segundo ele, usou a tradição europeia “não como finalidade, mas como ferramenta de uma expressão nacional”. O resultado, diz, é um concerto “altamente acessível, cativante e de fácil escuta”.
Serviço
Concerto “Diálogos” — 50 anos da OSMG. Dia 5 de novembro, quinta-feira, às 20h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte). Classificação indicativa: 10 anos. Ingressos a R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira), à venda na plataforma Sympla, na bilheteria principal e nos totens de autoatendimento do Palácio das Artes.



