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Calor extremo pode cortar em mais de 30% o consumo de ração de poedeiras

As altas temperaturas estão entre os principais obstáculos enfrentados por quem produz ovos. Segundo o médico-veterinário Jhony Gilio, da Auster Nutrição Animal, em situações de calor intenso a diminuição do consumo de ração pelas poedeiras pode superar 30%, o que reduz a ingestão diária de energia, aminoácidos, vitaminas e minerais essenciais à postura.

“Esse desequilíbrio nutricional compromete o metabolismo e reduz a disponibilidade de nutrientes importantes para manter o desempenho zootécnico e a qualidade na produção”, explica o especialista.

Além da menor ingestão de nutrientes, o calor desencadeia alterações metabólicas relevantes. A respiração acelerada, conhecida como arfagem, elimina grandes quantidades de dióxido de carbono e provoca um desequilíbrio ácido-base chamado alcalose respiratória. O processo reduz a disponibilidade de bicarbonato, composto fundamental para a formação do carbonato de cálcio usado na casca dos ovos.

O estresse térmico também aumenta a produção de corticosterona, hormônio associado ao estresse que interfere na atividade reprodutiva da ave e contribui para a queda da taxa de postura. Na prática, crescem os índices de ovos com casca fina, trincados ou quebrados, além da piora na conversão alimentar e da redução da produtividade. Em situações mais severas, o calor pode provocar mortalidade excessiva das aves e comprometer o fluxo de oferta de ovos nos períodos seguintes.

Outro ponto é a dificuldade que as aves têm de dissipar o calor do próprio corpo. Como não possuem glândulas sudoríparas, elas usam principalmente a respiração para eliminar o excesso de calor. “Em períodos de calor intenso, é comum que os galpões registrem temperaturas entre 35 °C e 40 °C, com elevada umidade. Esse cenário está muito acima da faixa de conforto térmico das principais linhagens comerciais, que é em torno de 18 °C a 24 °C, com umidade relativa entre 50% e 65%, dificultando a capacidade de resfriamento do organismo e aumentando o estresse fisiológico”, alerta Jhony Gilio.

Para diminuir os prejuízos, o veterinário recomenda ajustar a nutrição e acompanhar com frequência os principais indicadores de desempenho do lote, o que permite identificar alterações antes que as perdas produtivas se agravem. “A dieta deve ser preparada com ingredientes de alta biodisponibilidade para compensar a redução do consumo de ração, ajustando sua densidade nutricional para que cada grama consumida forneça mais nutrientes. Boas condições de ambiência com ventilação e umidade adequada, também ajudam a preservar a saúde das aves, a qualidade dos ovos e a rentabilidade da produção”, finaliza o médico-veterinário da Auster Nutrição Animal.

Redação JS
Redação JS
João Euclides Prata Salgado é fundador do Jornal Savassi, criado em 1985 em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura, comportamento e a vida da cidade.