O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios anunciou na noite de sexta-feira (11/09) as 13 vencedoras da etapa de Minas Gerais. A cerimônia foi realizada na sede do Sebrae Minas, em Belo Horizonte, e reuniu finalistas das cinco categorias da premiação, que reconhece mulheres que se destacam à frente de seus negócios, inovam e geram impacto em suas comunidades. Nesta edição, o estado registrou recorde de 1.304 inscrições.
Houve premiação de 1º, 2º e 3º lugares nas categorias Microempreendedora Individual (MEI), Pequenos Negócios, Produtora Rural ou Artesã e Ciência e Tecnologia. Na categoria Negócios Internacionais, Minas Gerais teve apenas uma empreendedora premiada. As primeiras colocadas de cada categoria avançam para a etapa regional e, em seguida, as classificadas seguem para a etapa nacional.
Mais de 300 pessoas participaram do evento, entre empreendedoras de diversas regiões do estado, familiares e amigos. Além da entrega dos prêmios, a programação contou com a participação de Déia Freitas, criadora e apresentadora do podcast “Não Inviabilize”, um dos mais ouvidos do mundo, com mais de 600 milhões de reproduções no Spotify. Déia falou sobre sua trajetória empreendedora e sobre como uma ideia de negócio nascida de forma despretensiosa se tornou um negócio de alcance global.
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, acompanhou a cerimônia e destacou o papel do empreendedorismo feminino na geração de oportunidades e no desenvolvimento econômico e social do estado. “Quando apoiamos mulheres que empreendem, ampliamos oportunidades, fortalecemos os pequenos negócios e contribuímos para o desenvolvimento do território. O papel do Sebrae é estar ao lado dessas mulheres, oferecendo conhecimento, conexões e caminhos para que seus negócios avancem e ganhem cada vez mais espaço”, afirmou.
Para a analista do Sebrae Minas e gestora do prêmio, Arielle Alexandria, o número recorde de inscrições evidencia a força e a pluralidade do empreendedorismo feminino no estado. “Cada vez mais, as mulheres conquistam espaço e assumem um papel de destaque na economia mineira, liderando negócios de diferentes setores e gerando renda, oportunidades e desenvolvimento. O Prêmio dá visibilidade a essa diversidade de histórias, além de inspirar outras mulheres a empreender e a transformar suas próprias realidades”, ressaltou.
Quem são as vencedoras
Na categoria Microempreendedora Individual (MEI), venceu Juliana Ribeiro, da Dona Farofa, de Contagem. O negócio nasceu em um momento de incerteza, depois que ela foi demitida do emprego e precisou se reinventar. Ao lado do marido, viu em uma receita de família a oportunidade: assim surgiu a empresa familiar especializada em farofas artesanais, que hoje expõe seus produtos em feiras e eventos do setor e já chegou a consumidores de outros países.
“Nós começamos sem muitos recursos, na cara e na coragem, e receber esse reconhecimento hoje me emociona e me mostra que estamos no caminho certo. Nosso trabalho é feito com carinho, perseverança e alegria. Pois a farofa é isso, ela representa alegria, ela junta as pessoas”, destacou Juliana. “Sei que a minha história é parecida com a de muitas mulheres, e desejo também inspirar outras mulheres a seguirem em frente”, frisou.
Em Pequeno Negócio, o primeiro lugar ficou com Yula Merola, da Reuso Recicla+, de Poços de Caldas. Depois de mais de duas décadas no setor público, ela decidiu empreender em algo em que acreditava e fundou, ao lado do sócio Wagner de Freitas — que atuou com cooperativas e chegou a trabalhar como catador de materiais recicláveis —, uma startup de gestão de resíduos sólidos e relatórios ESG. O negócio atende mais de 120 clientes em Minas Gerais e São Paulo, já rastreou mais de 500 toneladas de resíduos e contribuiu para evitar a emissão de 830 toneladas de CO₂. A experiência deu origem também à Recicla.ESG, plataforma que converte dados de coleta em relatórios ESG e gera indicadores ambientais e sociais.

“Confesso que esse reconhecimento mexeu comigo. Empreender sendo mulher já traz seus próprios desafios. Empreender com propósito, tentando gerar impacto social e ambiental de verdade, exige ainda mais coragem e persistência. Hoje só quero agradecer a todos que caminham comigo nessa construção”, ressaltou Yula.
Na categoria Produtora Rural ou Artesã, a vencedora foi Nídia Carvalho Prates, da Nídia Biscuits, de Jequitinhonha. Sua trajetória começou em 2007, com o primeiro curso de biscuit, e foi retomada anos depois, já no Vale do Jequitinhonha, após um problema de saúde afastá-la do mercado de trabalho. Durante a pandemia, passou a experimentar a cabaça e criou bonecas autorais inspiradas nas festas populares, na religiosidade e nos saberes do povo da região. A produção reúne modelagem em biscuit, bordado livre, tecelagem e uso de fibras naturais e sementes locais.
“Transformo a cabaça em peças únicas que expressam a tradição e a riqueza cultural do Vale do Jequitinhonha. Cada peça narra histórias do povo do Vale, com especial atenção às mulheres, seus saberes, vivências e religiosidade”, explica Nídia. “Receber essa premiação é a coroação do meu trabalho. Não tenho palavras para definir o sentimento, mas é uma emoção enorme e uma força a mais para continuar com o meu artesanato, inspirando outras pessoas com o meu trabalho e a minha arte”, completou.
Em Ciência e Tecnologia, venceu Isabela Marques, da startup Reabnet, de Uberlândia. Graduada em Educação Física, ela acompanhou de perto a reabilitação da avó após um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e decidiu mudar de área, ingressando no mestrado em Engenharia Elétrica para pesquisar soluções de reabilitação. No mestrado e depois no doutorado, conheceu o potencial dos games terapêuticos e criou, com outros pesquisadores, a Reabnet, que desenvolve soluções de reabilitação com inteligência artificial e realidade virtual. A empresa tem 19 colaboradores, atende 9 clínicas e 4 hospitais e já impactou mais de 400 pacientes.
“Receber esse reconhecimento do Sebrae me traz muita alegria e motiva a seguir em frente. A trajetória foi árdua, mas tudo o que construímos até aqui foi muito significativo. Esse Prêmio é um estímulo para continuarmos abrindo caminhos e perseverando no nosso sonho de tornar nossa solução acessível para cada vez mais pessoas”, destacou Isabela.
Na categoria Negócios Internacionais, a vencedora foi Marien Carretero, da Elllas, de Belo Horizonte. Marcada desde a infância pela arte e pela criatividade, ela criou uma marca autoral brasileira especializada em estampas exclusivas e produtos de moda, arte e lifestyle. Além da marca própria, a empresa desenvolve projetos internacionais e personalizados, com coleções e estampas sob medida para hotéis, beach clubs, resorts e empresas de alto padrão. A exportação começou pela Espanha, país de origem da empreendedora, e abriu mercados na Itália, França, EUA e Marrocos.
“Esse prêmio fala muito sobre a minha trajetória. Enquanto assistia a premiação, fiquei muito emocionada e passou uma história pela minha cabeça, pois relembrei tudo o que vivi e lutei para chegar até aqui. Então é um reconhecimento e emoção muito grande”, ressaltou Marien.
Próximas etapas
Criado pelo Sebrae para valorizar e incentivar o empreendedorismo feminino no país, o prêmio é voltado a mulheres que transformam suas realidades por meio de seus negócios, reconhecendo também o impacto social e econômico que geram em suas comunidades. As primeiras colocadas de cada categoria disputam a etapa regional, e as classificadas de todo o Brasil concorrem a uma vaga na etapa nacional, que reunirá 35 vencedoras regionais. A cerimônia nacional está prevista para 17 de novembro.
Além do reconhecimento, as vencedoras nacionais terão acesso a prêmios que variam de R$ 20 mil a R$ 50 mil, além de capacitações e missões técnicas para ampliar as oportunidades de desenvolvimento e crescimento dos negócios.



