A exposição imersiva “Polifonia da Presença”, do diretor, roteirista e produtor Leonardo Barcelos, abre ao público no dia 18 de setembro, sexta-feira, no Centro Cultural UFMG. A visitação segue até 23 de outubro, com entrada gratuita.
A mostra nasce de mais de dez anos de pesquisa audiovisual de Barcelos, reunida na Trilogia do Corpo — os longas “Corpo Presente” e “O Que Pode o Corpo?” e a série documental “Cartografias do Corpo”. É a primeira vez que uma trilogia cinematográfica completa é transposta integralmente para uma linguagem imersiva e instalativa. Em vez de simplesmente exibir os filmes em um espaço cultural, o projeto faz com que imagens e sons ocupem fisicamente o ambiente e sejam atravessados pelo corpo de quem visita. “O objetivo é transformar essa pesquisa audiovisual em uma experiência corporal e sensorial. Mais do que transmitir conteúdos ou oferecer respostas fechadas, a exposição quer criar condições para que o público experimente essas questões por meio das imagens, dos sons, da luz, da fumaça, dos reflexos e dos diferentes materiais presentes nas instalações”, afirma o diretor artístico da exposição.
Quatro núcleos, um percurso
O percurso é contínuo e passa por quatro núcleos interligados: “A Origem”, “A Matéria”, “O Outro” e “A Voz”. Em “A Origem”, uma grande projeção com imagens de “Corpo Presente” funciona como portal visual: raízes atravessam paredes e chão e conduzem o público até um espelho d’água, onde projeções, luz e fumaça criam um ambiente de passagem entre corpo, matéria e energia, abordando ancestralidade, transformação e os ciclos da matéria.

“A Matéria” aproxima o corpo das ideias de gestação, criação, cuidado e transformação. Módulos circulares de tecido recebem projeções e iluminação cênica, enquanto uma cúpula de vidro, imagens e areia branca compõem um ambiente que pode remeter a um útero, um organismo, um planeta ou ao próprio universo. O núcleo dialoga com a performance de Ludmilla Ramalho, que encerra a programação da exposição no dia 23 de outubro.
Já “O Outro” propõe uma experiência de encontro e alteridade em um percurso labiríntico formado por espelhos, vidros, superfícies reflexivas, materiais translúcidos e projeções, no qual o visitante vê o próprio corpo misturado às imagens de outras pessoas. Em “A Voz”, o corpo se afirma como discurso, memória e posição no mundo: quatro telas reúnem trechos da inédita “Cartografias do Corpo”, com depoimentos, performances e fragmentos audiovisuais sobre identidade, gênero, raça, ancestralidade, território, tecnologia, opressão e emancipação. “As vozes não aparecem isoladamente: elas se cruzam e reverberam umas nas outras, formando a polifonia que dá nome à exposição”, destaca Barcelos.
O texto curatorial é assinado por Eduardo de Jesus. “Ao se misturarem aos nossos próprios corpos, as imagens operam uma fricção constante entre matéria, memória e alteridade. Organizada em quatro eixos que se contaminam continuamente, a exposição propõe uma travessia sensível, convidando a dissolver as certezas do olhar e a experimentar o corpo como um território de invenção”, comenta o curador.

Pré-estreia e debate
A série “Cartografias do Corpo”, criada e dirigida por Barcelos, tem 13 episódios de 26 minutos, gravados no Brasil e em cidades como Nova York, Berlim e Paris. A pré-estreia mundial será no dia 8 de outubro, às 18h, no Auditório do Centro Cultural UFMG, com a exibição de dois episódios selecionados para apresentar alguns dos principais eixos da série. Na sequência, das 19h às 21h, o debate “O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira” reúne Leonardo Barcelos, Carlos Mendonça, Hélio Lauar e Ana Luisa Santos, com mediação de Eduardo de Jesus.
Entre os artistas e pensadores que aparecem nas obras estão Marina Abramović, Ailton Krenak, Érica Hilton, Suely Rolnik, Zé Celso Martinez Corrêa, Ayrson Heráclito, Regina José Galindo, Carlos Martiel, Paulo Nazareth, Edgar Xakriabá, Zahy Guajajara, Jup do Bairro, Viktoria Modesta, ORLAN e Berna Reale.
Programação paralela
A mostra também tem uma programação formativa com atividades educativas, ações de mediação, exibições, conversas e performances, criada para aproximar o público dos temas centrais da Trilogia do Corpo: corpo, imagem, alteridade e política. No dia 24 de setembro, das 18h às 20h, a exposição recebe a exibição de “O Que Pode o Corpo?”, documentário de 73 minutos que integra a trilogia.
O projeto é realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte.



