Alunos a partir do 6º ano do Ensino Fundamental dos colégios Maristas Padre Eustáquio e Dom Silvério, em Belo Horizonte, participam do Projeto de Vida, atividade que trabalha autoconhecimento, identificação de habilidades e interesses e construção de objetivos para diferentes etapas da trajetória escolar. A proposta não se limita à escolha profissional: trata também de valores, prioridades e da forma como cada estudante toma decisões diante de mudanças e desafios.
O assunto ganhou peso com uma pesquisa realizada com 1.762 estudantes do Ensino Médio de escolas públicas e privadas de cinco estados brasileiros, publicada em 2025 na Revista Diálogo Educacional. Trabalho, família, realização e dinheiro apareceram entre as principais preocupações dos jovens quando convidados a pensar sobre a própria vida no futuro.
Para Raissa Alves Araújo, professora do Colégio Marista Padre Eustáquio, começar esse trabalho ainda no Ensino Fundamental dá ao adolescente tempo para desenvolver um olhar sobre si mesmo. “Quando falamos em Projeto de Vida, não estamos falando apenas sobre a profissão que o estudante vai escolher. É um processo de autoconhecimento, de identificação das próprias habilidades e de reflexão sobre aquilo que faz sentido para cada um. Quanto antes ele começa a fazer essas perguntas, mais possibilidades tem de construir suas escolhas de forma consciente”, afirma.
No Colégio Marista Dom Silvério, a proposta é associada à perspectiva de formação integral. “Preparar para a vida é ajudar o estudante a entender que ele pode fazer escolhas, estabelecer objetivos e, quando necessário, mudar de caminho. A escola oferece conhecimento, mas também precisa criar espaços para que o jovem reflita sobre como esse conhecimento se relaciona com a vida que deseja construir”, explica Paulo Cesar Souza Tavares, professor da instituição.
Metas, revisões de rota e autonomia
As atividades partem da ideia de que planos podem mudar e de que não existe uma única trajetória possível. Ao longo do processo, os estudantes são estimulados a estabelecer metas, avaliar possibilidades, reconhecer desafios e desenvolver autonomia para lidar com situações diversas.
Uma revisão de estudos publicada pela Universidade de Taubaté em 2026 sobre o tema relaciona o trabalho com Projeto de Vida a aspectos como autoconhecimento, autonomia, continuidade dos estudos, participação social e formação integral — o que amplia o papel da escola para além da preparação acadêmica.



