A Escola de Artes Instituto Unimed-BH, que atende crianças e jovens do Morro das Pedras, na região Oeste de Belo Horizonte, completa 20 anos em 2026. A data será celebrada com o espetáculo “Tudo que Move é Sagrado”, que reúne mais de 400 artistas no Grande Teatro Palácio das Artes em 27 de setembro, às 18h. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla.
A maior parte do elenco é formada por alunos da própria escola, por integrantes do Grupo Somos e por participantes do Programa Somos Comunidade — o que coloca no mesmo palco gerações, modalidades e etapas de formação diferentes. Mais do que uma comemoração, a apresentação mostra a continuidade de um trabalho que começa na formação, cria vínculos e abre caminho para que novos artistas permaneçam e transmitam adiante o que aprenderam.
Uma escola, 31 escolas
Em 2025, a Escola de Artes beneficiou 170 crianças e jovens, estudantes de 31 escolas, com aulas de percussão, ballet, jazz e danças urbanas. Somadas as apresentações, ensaios, aulas abertas e reuniões, as atividades envolveram cerca de 2,7 mil pessoas entre alunos e familiares. A iniciativa gerou ainda 23 postos de trabalho e renda diretos.
As aulas acontecem na Escola Municipal Hugo Werneck. São parceiros do Instituto Unimed-BH o Camaleão Grupo de Dança, o Grupo Cultural Arautos do Gueto e a própria escola municipal.

Somos Comunidade e Grupo Somos
O Programa Somos Comunidade, realizado pela Coreto Cultural e patrocinado pelo Instituto Unimed-BH, existe há 12 anos e trabalha em ciclos de mapeamento, sensibilização, formação e apresentações artísticas. Ele envolve uma média anual de 1.000 agentes culturais, entre artistas e postos de trabalho, e já alcançou quase 65 mil pessoas de público direto presencial.
Desde 2014, o programa viabilizou mais de 50 atividades de sensibilização e formação artística e produziu espetáculos em palcos como o Palácio das Artes, o Sesc Palladium, os parques Municipal Américo Renné Giannetti, Lagoa do Nado e Fernão Dias, além das Praças da Estação e de Santa Tereza. Em 2021, lançou o documentário “Não Há Sol a Sós”, gravado e encenado pelos moradores do aglomerado do Morro das Pedras.
Do percurso do programa nasceu, em 2024, o Grupo Somos, núcleo permanente de formação em dança e percussão voltado sobretudo a jovens que querem aprofundar a experiência artística. Em 2025, o grupo circulou por sete festivais da Região Metropolitana de Belo Horizonte — em Belo Horizonte, Contagem, Betim e Nova Lima — e participou das montagens “Herói” e “Recriar”, do Grupo Camaleão, alcançando um público de quase 6 mil pessoas. Em 2026, integra a programação comemorativa dos 20 anos da Escola de Artes e dos 23 anos do Instituto Unimed-BH, ao lado de alunos de diferentes modalidades e de outros grupos artísticos patrocinados pelo instituto.
Escola que forma e transforma
Entre os alunos que passaram pela escola e hoje atuam na área está Kamilla Martins Ferreira, de 19 anos. Ela chegou à Escola de Artes em 2013, aos seis anos, depois de ter iniciado a dança aos quatro. Em 2016, recebeu uma bolsa para o Núcleo Artístico Savassi, onde aprofundou a formação em jazz. Em 2021, começou como monitora na própria escola e, depois de passar por monitoria e estágio, tornou-se professora assistente. Hoje, dá aulas de jazz em outras escolas e integra o Grupo Somos como bailarina.
“Eu acho que o que mais gosto é perceber a confiança que a escola teve em mim. É uma honra muito grande fazer parte da equipe e muito gratificante ver a confiança que a Escola de Artes tem em nós, alunos que estamos nesse processo de formação”, afirma. “Quando você começa a ensinar aquilo que um dia aprendeu, começa a entender que tudo faz sentido, que nada foi em vão. Eu consigo transmitir tudo que já recebi. Tudo que sempre recebi de bom, minha vontade é passar ainda melhor para minhas alunas”, conta.

Para ela, a disciplina construída desde a infância é um dos principais aprendizados que leva para a vida. “A rotina das aulas, o compromisso com os horários, o cuidado com o uniforme e a responsabilidade com as apresentações foram, desde cedo, ensinamentos que ultrapassaram o universo da dança”, explica. No Grupo Somos, Kamilla passou a conviver mais intensamente com jovens de outras modalidades, aproximando bailarinos, percussionistas e artistas de trajetórias diferentes. “Eu acho que o Grupo Somos vem nesse lugar de esperança. De abrir portas para pessoas que talvez já estivessem começando a desistir da dança, achando que já estão velhas demais para isso, que não é mais o seu lugar. Para mim, é ver o meu trabalho seguindo, continuando, crescendo cada vez mais”, afirma.
A continuidade entre gerações também aparece na trajetória de Vinícius Romoaldo Ribeiro, que cresceu acompanhando os pais, Fabiana e Renato, integrantes do grupo Arautos do Gueto, e as atividades da escola. Presente nesse ambiente desde pequeno, começou a tocar por volta dos oito anos e hoje concilia a percussão com a natação, esporte em que passou a competir em 2025 e já conquistou medalhas. Para Fabiana, as duas experiências se complementam na formação do filho ao desenvolver valores como concentração, respeito, responsabilidade e convivência coletiva. “Eu acho que a Escola de Artes representa para ele a formação de um bom cidadão, de poder contribuir com o outro, de ser responsável, de ser um jovem mais confiante nele e se preparar para os desafios”, afirma Fabiana Romoaldo.
O legado de duas décadas
Diretora artística da Escola de Artes, Maria Inês Amaral vê na formação artística uma transformação que vai além da técnica. “Acredito que o maior legado desses 20 anos seja ter possibilitado que tantas crianças e jovens descobrissem, por meio da arte, a potência que existe dentro de cada um. A dança é uma ferramenta muito poderosa de construção de autoestima e confiança, mas, sobretudo, de autoconhecimento. Aos poucos, cada aluno aprende a reconhecer seus talentos, suas possibilidades e também seus limites. E essa consciência é algo que ele leva para a vida. Ao longo desses 20 anos, a Escola de Artes se tornou, para muitos, um lugar de pertencimento, de encontro e de descoberta. Talvez esse seja o maior legado: ter ajudado a formar pessoas mais conscientes de si, mais confiantes para enfrentar a vida e mais disponíveis para construir algo junto.”
Para Lilian Nunes, diretora artística e executiva da Coreto Cultural e responsável pelo Somos Comunidade, o Grupo Somos nasce justamente desse desejo de criar continuidade. “A Escola de Artes abre a porta para que crianças e jovens tenham contato e formação com a dança e a música, e o Somos Comunidade amplia esse percurso, criando novas possibilidades de convivência e circulação. É muito significativo acompanhar jovens que começaram esse caminho ainda crianças e hoje ocupam o palco, experimentam outras linguagens e começam a enxergar a arte também como uma possibilidade de futuro. O nosso papel é ajudar a construir essas pontes e garantir que o processo de formação não termine quando acaba uma etapa, mas possa se transformar em novos caminhos”, afirma.
A presidente do Conselho do Instituto Unimed-BH, Mercês Fróes, destaca o papel das iniciativas na comunidade. “Temos muito orgulho de acompanhar e fortalecer iniciativas que demonstram, na prática, o poder transformador da arte. Ao longo de 20 anos, a Escola de Artes Instituto Unimed-BH vem criando oportunidades, revelando talentos e construindo vínculos duradouros com crianças, jovens, famílias e toda a comunidade. O Somos Comunidade amplia esse percurso e cria espaços para que essas experiências se desenvolvam, circulem e alcancem mais pessoas. Como idealizador da Escola de Artes e patrocinador do Programa Somos Comunidade, o Instituto Unimed-BH reafirma seu compromisso de incentivar o acesso à cultura, apoiar processos formativos e contribuir para o desenvolvimento social por meio da arte”, afirma.



