A VIII Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética reunirá médicos de diferentes regiões do Brasil e palestrantes internacionais nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, em Curitiba (PR). O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Medicina Estética (ABME) e será realizado no Teatro UP Experience, na Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300.
A programação prevê palestras, workshops e discussões clínicas sobre procedimentos injetáveis, tecnologias, medicina regenerativa, segurança, complicações, anatomia, diagnóstico por imagem e mudanças no comportamento dos pacientes. Entre os convidados estão médicos da Espanha, Peru e Paraguai, além de profissionais de vários estados brasileiros. O evento é destinado ao público médico e às categorias previstas pela organização.
Para Eduardo Santos Lima, presidente nacional da ABME, o encontro coloca sob análise mudanças que avançam em velocidades diferentes: novas tecnologias, produtos e demandas chegam rapidamente ao consultório, enquanto o médico precisa decidir o que incorporar, para quem indicar e quais limites observar. “Atualização não é simplesmente conhecer o que acabou de chegar ao mercado. É conseguir discutir indicação, evidência, segurança e o que aquela técnica efetivamente acrescenta à prática médica. Em uma área que muda tão rapidamente, o conhecimento científico precisa acompanhar a inovação”, afirma Lima.
Perda rápida de peso muda a rotina dos consultórios
Um dos temas centrais é o efeito das canetas emagrecedoras sobre a face e o corpo. Segundo Lima, aumentou a procura por tratamentos para flacidez e rugas entre pacientes que passaram por emagrecimento importante. A redução da gordura facial pode afetar estruturas que participam da sustentação dos tecidos, o que faz surgir novas queixas depois da perda de peso.
A médica Carolina Passamani apresenta a palestra “Revertendo ‘Ozempic Face’: Protocolos para Restauração de Volume e Flacidez em Pacientes com Rápida Perda de Peso”. A discussão não se limita a como tratar essas alterações: envolve também o risco de tentar compensar rapidamente a perda de volume com intervenções excessivas.
“As canetas mudaram o perfil de uma parcela dos pacientes que chegam aos consultórios. A perda de peso pode ser rápida, mas isso não significa que a resposta estética deva ser igualmente imediata ou baseada apenas em devolver volume. É preciso avaliar o que aconteceu com os tecidos e definir a estratégia para aquela pessoa”, explica Lima.
Complicações entram na pauta antes de acontecerem
Outro eixo do encontro trata do que acontece quando um procedimento apresenta uma intercorrência. Complicações isquêmicas, necroses, infecções, fibroses, nódulos, queimaduras e alterações neurológicas estão entre os riscos que, de acordo com Lima, ainda podem ser subestimados pelos pacientes. Para ele, escolher quem realizará um procedimento também significa considerar a capacidade do profissional de reconhecer e conduzir uma eventual complicação.
“Quando alguém avalia um procedimento estético, normalmente pergunta sobre o resultado e o tempo de recuperação. Uma pergunta igualmente importante é: se houver uma complicação, esse profissional está preparado para reconhecê-la e tratá-la? Segurança não começa depois que alguma coisa dá errado. Ela começa na indicação e no planejamento”, afirma.
O assunto será tratado em diferentes frentes. A médica Luciana Braga Campiolo discute os riscos ocultos das injeções de preenchimento supraperiosteal; Luciana Akemi Takahashi, radiologista do Hospital de Clínicas da UFPR, aborda quando indicar o ultrassom dermatológico na Medicina Estética; Keyla Klava Pujol fala sobre remoção de nódulos e preenchedores com laser subdérmico; e o médico peruano Frank Zegarra apresenta uma discussão sobre manejo de complicações com terapia hiperbárica.
Entre a promessa e o que já pode ser sustentado
A velocidade da inovação também estará em debate. Exossomos, peptídeos, nano e microfat e outras estratégias associadas à medicina regenerativa vêm ocupando espaço crescente nas discussões da área, mas carregam diferentes níveis de evidência e aplicabilidade clínica. A distância entre novidade e prática é o tema da palestra do médico Rafael Perin Arpini, “Medicina Regenerativa na Estética: Entre a Promessa e a Realidade Clínica — peptídeos, exossomos e o futuro da regeneração cutânea”. Já Fernando Carvalho aborda a aplicabilidade de exossomos autólogos e sintéticos, enquanto Arthur Pimentel discute lipoenxerto enriquecido com estroma.
“Nem tudo o que é novo está pronto para ser incorporado da mesma maneira à prática. Um encontro científico também precisa ser espaço para fazer perguntas, comparar experiências e reconhecer onde ainda existe controvérsia ou necessidade de evidências mais consistentes. Esse filtro é tão importante quanto conhecer uma inovação”, diz Lima.
Naturalidade vira discussão científica
A reação a resultados excessivos e à padronização dos rostos também aparece na programação. O médico André de Campos Cerqueira discute como utilizar preenchimentos com bom senso e naturalidade; Juliana Barreto aborda o conceito de Quiet Beauty e o papel das tecnologias não ablativas; e Luis Antônio Soares Pires apresenta uma discussão cujo próprio título resume a mudança: “Menos exagero, mais regeneração e naturalidade”.
“O paciente não deve sair de um consultório com o rosto de uma tendência. A Medicina Estética precisa considerar anatomia, fisiologia, envelhecimento e individualidade. Saber fazer um procedimento é fundamental, mas saber indicar — e saber quando não fazer — é parte da mesma responsabilidade”, afirma.
A programação inclui ainda ultrassom microfocado, radiofrequência microagulhada, laser de CO₂, endolaser, biolifting, preenchimentos, bioestimulação e discussões jurídicas relacionadas à atuação profissional. Lima tem 20 anos de atuação, coordena cursos de pós-graduação médica, integra o Conselho Superior da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética e participa do Comitê Científico dos Congressos ASIME.
“Quem participa não vai encontrar apenas uma sequência de técnicas. A proposta é discutir problemas que o médico encontra no dia a dia do seu consultório: o paciente que emagreceu rapidamente, aquele que chega influenciado por uma tendência, a complicação que precisa ser identificada, uma tecnologia nova que exige avaliação crítica. O valor de um encontro científico está em sair dele mais preparado para decidir qual o melhor tratamento ou abordagem que devemos tomar em cada caso”, conclui.
Serviço
VIII Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética
Data: 25 e 26 de setembro de 2026
Local: Teatro UP Experience
Endereço: Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 – Curitiba (PR)
Público: médicos e categorias previstas pela organização para participação no evento
Realização: Associação Brasileira de Medicina Estética (ABME)



