O Plano Safra 2026/27 prevê R$ 525,1 bilhões para o crédito da agricultura empresarial, um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior. Do total, R$ 72,6 bilhões serão destinados aos médios produtores enquadrados no Pronamp e R$ 452,5 bilhões aos demais produtores rurais e cooperativas. Para a agricultura familiar, foram reservados R$ 85,2 bilhões em operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), principal linha voltada aos pequenos produtores.
Apesar do aumento no volume de recursos e da redução de juros em algumas modalidades de investimento, o setor de máquinas agrícolas avalia que o maior rigor das instituições financeiras na análise de crédito ainda limita a chegada efetiva desses valores ao produtor. É o que avalia Felippe Vieira, diretor comercial da LS Tractor, multinacional sul-coreana com operação no Brasil.
“Nos últimos anos, vimos recursos anunciados se esgotarem rapidamente ou as operações deixarem de ser aprovadas por causa do maior rigor das instituições financeiras. O produtor precisa ter a segurança de que, quando decidir investir em um trator, encontrará o crédito disponível e condições para contratar esse financiamento”, afirma.
Segundo o executivo, o aumento da inadimplência nos últimos anos levou bancos e demais agentes financeiros a endurecer os critérios de concessão de crédito. “Exigências maiores de garantias, análises mais rigorosas e menor apetite para assumir riscos reduziram o número de operações aprovadas. Além disso, enquanto não houver medidas que permitam ao produtor reorganizar sua situação financeira, uma parcela importante continuará sem conseguir acessar esse crédito”, explica Vieira.


Alternativas ao crédito tradicional
Para os agricultores familiares que buscam mecanizar suas operações, a principal porta de entrada continua sendo o Pronaf, que permite financiar tratores de até 80 cavalos com juros equalizados de 5% ao ano, além de prazos mais longos e período de carência. “Esperávamos uma redução na taxa de juros para aquisição de tratores, mas isso infelizmente não aconteceu. Mesmo assim, o Pronaf continua sendo uma excelente ferramenta para quem está adquirindo o primeiro equipamento ou substituindo seu usado por um novo”, diz Vieira.
Diante das dificuldades de acesso ao crédito bancário tradicional, fabricantes têm reforçado soluções próprias de financiamento. A LS Tractor, por exemplo, passou a apostar no consórcio como alternativa estratégica: desde o ano passado, a empresa contempla mensalmente dez tratores por meio dessa modalidade. Banco de fábrica e cooperativas de crédito também vêm ganhando espaço entre produtores que não conseguem aprovação em instituições financeiras tradicionais.
“As cooperativas costumam conhecer melhor o histórico do produtor e conseguem avaliar cada caso de forma mais próxima. Muitas vezes, operações negadas por bancos comerciais acabam sendo aprovadas por essas instituições, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito”, afirma o diretor comercial.
Mesmo com o cenário mais desafiador para o crédito rural, a LS Tractor mantém plano de expansão no Brasil. Desde 2024, a multinacional investiu R$ 40 milhões no país e anunciou recentemente um novo aporte de R$ 20 milhões para os próximos dois anos, destinados à modernização do portfólio de produtos, à infraestrutura da fábrica, a sistemas de tecnologia da informação e ao fortalecimento da estrutura de pós-venda. A empresa também prepara o lançamento, ainda este ano, de um novo trator de 80 cavalos voltado ao segmento de entrada, ampliando o portfólio com equipamentos mais acessíveis.
“Hoje somos reconhecidos pelos produtos premium que entregam alta produtividade, mas também queremos ampliar a atuação em segmentos mais econômicos. O objetivo é democratizar o acesso à mecanização e oferecer tecnologia para produtores de todos os portes, com equipamentos modernos, eficientes e competitivos”, conclui Vieira.



