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Ter um ‘work bestie’ no trabalho reduz burnout, diz especialista

Ter um melhor amigo no trabalho, o chamado “work bestie”, deixou de ser apenas uma afinidade casual e se tornou um pilar estratégico na gestão de pessoas. Segundo levantamento global do instituto Gallup, profissionais que têm um melhor amigo no trabalho são sete vezes mais engajados em suas funções, além de apresentarem menor probabilidade de sofrer da Síndrome de Burnout e outras doenças laborais.

Com a proximidade do Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, Fernando Cardoso, coordenador da graduação em Gestão de RH da UNIASSELVI, destaca a importância dessas relações para a retenção de talentos. “O salário e os benefícios atraem o talento, mas são as relações saudáveis e o senso de pertencimento que o mantém na empresa. O ‘work bestie’ é alguém com quem o trabalhador compartilha desafios, celebra conquistas e encontra suporte em momentos de pressão. Não necessariamente é um amigo íntimo fora da empresa, mas é uma referência de confiança dentro do ambiente organizacional”, explica.

De acordo com levantamento do instituto BetterUp, os níveis de estresse e ansiedade em profissionais que se sentem desconectados de seus pares podem aumentar em até 158%. A mesma pesquisa aponta que funcionários que se sentem solitários são 109% mais propensos a sofrer de Burnout e relatam um aumento de 77% no estresse diário.

Conexão humana e novos modelos de trabalho

Para Cardoso, a segurança psicológica gerada por esses vínculos sustenta o bem-estar das equipes e atrai gerações como Millennials e Geração Z, que valorizam a qualidade do ambiente de trabalho tanto quanto a remuneração. “Esse tipo de vínculo contribui para criar ambientes mais colaborativos, humanos e resilientes. Em mercados cada vez mais competitivos, empresas que favorecem relações interpessoais positivas tendem a apresentar melhores indicadores de clima organizacional, engajamento e retenção”, destaca.

Nos modelos híbridos e remotos, o impacto do work bestie pode ser ainda maior, já que a distância física reduz interações espontâneas. “O desafio das organizações é criar oportunidades para que essas relações surjam naturalmente, já que o ambiente virtual reduz momentos informais, como conversas no café ou encontros presenciais. O risco é formar equipes tecnicamente conectadas, mas emocionalmente distantes”, afirma o coordenador.

Limites necessários

Nem toda interação deve ser incentivada sem critério no ambiente corporativo. “Amizades fortalecem a cultura organizacional, mas não podem comprometer a imparcialidade profissional. O principal limite é garantir que a relação não gere privilégios, exclusões ou prejudique a tomada de decisões objetivas. Amizades entre líderes e subordinados podem existir, mas exigem maturidade e elevado profissionalismo”, diz Cardoso.

As chamadas “panelinhas”, que criam barreiras para a integração de novatos, também são um problema a ser evitado. Segundo o especialista, as empresas podem estimular relações saudáveis criando ambientes de confiança, promovendo projetos colaborativos, mentorias e momentos informais voluntários. “Nenhuma dinâmica obrigatória cria amizade verdadeira. Conexões genuínas nascem da convivência e da confiança. Por isso, o mais importante para as empresas é construir uma cultura onde as pessoas sintam-se seguras para serem autênticas”, conclui.

João Euclides
João Euclides
João Euclides Prata Salgado é fundador do Jornal Savassi, criado em 1985 em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura, comportamento e a vida da cidade.

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