A mala de viagem já não obedece à mesma lógica de alguns anos atrás. Em vez de separar rigidamente roupas de treino, looks de aeroporto, peças para sair e produções para o jantar, cresce o interesse por um guarda-roupa mais enxuto e funcional, capaz de acompanhar diferentes momentos do dia sem parecer deslocado em nenhum deles.
Essa mudança acompanha um movimento mais amplo da moda internacional. Em 2026, relatórios de comportamento de consumo apontam para um consumidor mais atento a valor, versatilidade, bem-estar e uso real das peças. A McKinsey, em seu State of Fashion 2026, identifica a adaptação a mudanças de comportamento, tecnologia e consumo como um dos grandes desafios da indústria, enquanto seu relatório State of the Consumer 2026 destaca a ascensão de consumidores mais pragmáticos.
No vestuário, essa lógica aparece na expansão de peças híbridas: roupas que preservam atributos de performance, mas deixam de parecer estritamente esportivas. Em Paris, durante a semana de moda masculina de verão 2027, a Vogue Business apontou como o calor extremo recolocou no centro da conversa roupas leves e respiráveis, com destaque para shorts em linho e tecidos arejados.
Performance sem aparência esportiva
Mais do que traduzir o athleisure como roupa esportiva fora da academia, marcas como a mineira Vörr apontam para uma ideia de guarda-roupa de transição. São peças que partem do movimento, mas não se restringem a ele: calças com aparência urbana e conforto de moletom, camisas de linho, polos tecnológicos, vestidos fluidos, bermudas de algodão, shorts de viscose, tênis, bonés e sobreposições leves.
“Nossas peças acompanham quem vive o esporte no dia a dia, fora dos treinos e competições. Unimos conforto e mobilidade a uma estética versátil, que permite diferentes usos”, afirma Victoria Loiola, head de estilo da Vörr.
Na prática, isso significa substituir a lógica da ocasião única por peças de alta circulação. A calça de moletom com corte de jeans combina visual de jeans e construção em moletom premium, com algodão e elastano. A Camisa Gibson 100% Linho aposta em leveza, respirabilidade e conforto térmico para dias quentes, viagens e compromissos casuais. Já a Polo Performance Tech, feita em poliamida tecnológica com elastano, reúne design limpo, modelagem ajustada e secagem rápida.
No feminino da Vörr, essa leitura aparece em vestidos de algodão, viscose e linho, além de saias, bermudas e shorts que atravessam diferentes momentos do dia sem perder sofisticação.
Conforto como sofisticação
A força desse movimento está em sua discrição. Não se trata de vestir performance da cabeça aos pés, mas de incorporar ao guarda-roupa elementos antes associados ao esporte, como elasticidade, respirabilidade, leveza, conforto térmico, secagem rápida e liberdade de movimento.


A Vogue Business também observou esse movimento nas roupas com proteção solar UPF, que começam a sair do território ultraesportivo para entrar em propostas de ready-to-wear, pensadas para circular entre praia, almoço, cidade e viagem.
“Criamos peças para uma vida que não para. O consumidor não quer mais pensar em ‘que roupa uso agora’; ele quer que a peça resolva isso por ele”, diz Victoria.
Fundada em 2016 em Belo Horizonte e atualmente comandada por Eduardo Ayres, Humberto Ayres e Flávio Martins, a Vörr é uma marca mineira de athleisure premium que desenvolve peças pensadas para transitar entre o universo esportivo e o cotidiano urbano. Com produção 100% nacional, linhas masculina, feminina e infantil, presença em cerca de 200 multimarcas, canais digitais e lojas próprias, a marca tem entre seus sócios atletas como Henrique Avancini, Bruno Soares e Thiago Vinhal. Em 2026, projeta crescimento superior a 50% e avança em um plano de expansão nacional.



