No próximo mês, toda a comunidade médica e a sociedade em geral estarão empenhadas na campanha Outubro Rosa, contra o câncer de mama. Várias atividades estão sendo realizadas no Brasil para ressaltar a importância da prevenção a esse tipo de câncer, o segundo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 57.120 novos casos são estimados para este ano. Em Minas, a estimativa é de 5.210 casos novos. As taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Segundo especialistas, a melhor forma de evitar o tumor é a realização de exames preventivos, pois, se diagnosticado na fase inicial, as chances de cura podem chegar a 90%. Um dos métodos mais eficientes para detectá-lo precocemente, é a mamografia (radiografia das mamas), realizada em um equipamento específico, conhecido como mamógrafo.
Outubro Rosa

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PREVENÇÃO AUMENTA CHANCES DE CURA DO CÂNCER DE MAMA
Diagnóstico precoce do tumor aumenta possibilidade de reestabelecimento da saúde em 90%
O mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – MG, Clécio Lucena, explica que o câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em um conjunto de células localizadas na mama. Entretanto, a enfermidade, que ocorre principalmente em mulheres, não excluindo o público masculino, é mais comum de se desenvolver a partir dos 40 anos. “Existem alguns fatores que podemos considerar de risco, tanto para homens, quanto para mulheres. Entre eles estão histórico familiar, alimentação, obesidade, sedentarismo e consumo de álcool em excesso”, explica.
Apesar de a doença não ter uma idade definida, o rastreamento por meio do exame mamográfico é recomendado, anualmente, somente a partir dos 40 anos. Lucena explica que o exame não é indicado rotineiramente para mulheres jovens, já que a radiografia tem maior dificuldade em detectar os sinais radiológicos em tecidos mamários mais densos, o que ocorre frequentemente abaixo dos 40 anos. “Antecipar a realização da mamografia é indicado quando a pessoa tem alterações palpáveis ou caso tenha histórico familiar positivo com um perfil de risco aumentado, incluindo alterações genéticas propícias para o aparecimento da doença, dentre outros fatores de risco”, esclarece.
O especialista explica que a mamografia permite detectar lesões ainda muito pequenas, na fase inicial do câncer, o que não é possível com o exame de toque (auto-exame ou exame clinico das mamas). Atualmente, a técnica está mais avançada, com destaque para mamografia digital, com maior qualidade e, consequentemente, maior capacidade de detectar e interpretar as alterações mamárias. “O exame é o método mais eficaz, podendo influenciar a escolha do tratamento assertivo e menos agressivo para a mulher. Não existe outro método que substitui o processo, ainda que gere um desconforto, uma das reclamações mais constantes. Por isso, não é possível postergar a realização do exame”.
As mulheres com menos de 40 anos devem realizar outros tipos de exames preventivos, como o autoexame e o acompanhamento com um profissional da área de mastologia ou ginecologia. Outro cuidado é observar qualquer alteração na mama. “Sintomas como o aparecimento de nódulos, mudança no tamanho e forma, saída de secreções claras ou sanguinolentas espontaneamente e feridas na pele podem ser um sinal para procurar um médico o quanto antes”, alerta Lucena.
Para o oncologista e presidente do conselho administrativo da rede Oncoclínicas do Brasil, Bruno Ferrari, o Outubro Rosa é de suma importância para reverter as estatísticas do câncer de mama no país, uma vez que o diagnóstico precoce torna o tratamento mais eficaz e menos traumático à paciente. “O tratamento varia de acordo com o estágio da doença, as características biológicas e as condições de cada mulher. Podem ser adotados procedimentos locais – cirurgia e radioterapia – ou sistêmicos – quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica”, explica Ferrari, que também membro do Conselho Consultivo da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).


