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“O Maestro de Capela” leva Mozart e estreia mineira ao Palácio das Artes

Nos dias 8 e 9 de outubro, quinta e sexta-feira, às 19h, o Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes, recebe o concerto “O Maestro de Capela”, da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. A regência é do maestro André Brant, e o programa reúne a estreia mundial de “Intimer Spaziergang”, do compositor mineiro Rogério Vieira, a “Sinfonia nº 35 em ré maior, Haffner”, de Mozart, e a pequena ópera cômica que dá nome à noite, de Domenico Cimarosa. O baixo-barítono Fellipe Oliveira é o solista convidado, com direção cênica de Pablo Maritano.

A noite abre com “Intimer Spaziergang” (“Passeio Íntimo”), escrita neste ano de 2026 a pedido do maestro André Brant. A encomenda veio depois de uma viagem de Rogério Vieira à Europa, onde mora sua filha. Em sua primeira visita a Berlim, o músico passou por pontos históricos conhecidos e também por um pequeno parque dedicado ao compositor Felix Mendelssohn Bartholdy, decorado com brinquedos em formatos musicais. Foi ali, ao manipular uma peça com vários sinos em uma melodia improvisada, que surgiram as primeiras notas da obra. Com cerca de seis minutos, ela é a quarta composição de Vieira — também arquivista da OSMG — para a orquestra.

Depois é a vez da “Sinfonia nº 35 em ré maior”. Em 1776, Mozart recebeu do amigo Sigmund Haffner a encomenda de uma obra para celebrar o casamento de sua irmã; o pai de Sigmund, respeitado negociante, havia sido prefeito de Salzburgo. O compositor austríaco escreveu então uma serenata em oito movimentos, a “Serenata Haffner”. Em julho de 1782, quando Haffner foi elevado à posição de Cavaleiro do Reino, Leopold Mozart escreveu ao filho transmitindo o pedido de uma nova serenata para a ocasião. Feita às pressas — o último movimento foi entregue em agosto de 1782 —, a obra tinha qualidade técnica excepcional. A estreia aconteceu sob regência do próprio Mozart, em concerto beneficente em Viena, em 23 de março de 1783, com grande sucesso. Em sua versão definitiva, a “Sinfonia Haffner” tem quatro movimentos: um primeiro imponente e animado, um segundo e um terceiro marcados pela elegância da música de divertimento típica de Salzburgo e um finale enérgico.

Crédito: Divulgação

O concerto termina com “O Maestro de Capela”, de cerca de 20 minutos e data de composição incerta — acredita-se que tenha sido escrita entre o fim dos anos 1780 e o início da década de 1790, período em que Cimarosa serviu como maestro di cappella na corte de Catarina, a Grande, em São Petersburgo. Ele ocupou o mesmo cargo em Viena a partir de 1791, ano da morte de Mozart, e na mesma década voltou a Nápoles, sua terra natal, onde faleceu. Até o surgimento de Gioachino Rossini, foi o mais popular dos compositores de ópera italianos. Na pequena ópera cômica, Fellipe Oliveira interpreta o personagem-título, um maestro que tenta conduzir seus músicos enquanto se irrita com os erros e desentendimentos da orquestra. Em 16 anos de carreira, o baixo-barítono já se apresentou com orquestras no Brasil e no exterior e cantou em praticamente todos os grandes teatros do país, além de casas de espetáculos fora do Brasil. Sua última apresentação no Palácio das Artes foi em maio de 2026, no papel-título da ópera “As Bodas de Fígaro”.

Crédito: Divulgação

Os ingressos para o concerto custam R$ 15,00 a meia-entrada e R$ 30,00 a inteira, e podem ser comprados na plataforma Sympla, na bilheteria principal e nos totens de autoatendimento do Palácio das Artes, na Av. Afonso Pena, 1537, Centro, em Belo Horizonte. A classificação indicativa é livre. Outras informações pelo telefone (31) 3236-7400.

Redação JS
Redação JS
João Euclides Prata Salgado é fundador do Jornal Savassi, criado em 1985 em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura, comportamento e a vida da cidade.