O Museu Inimá de Paula, no Centro de Belo Horizonte, abre na terça-feira, 30 de setembro, três exposições que aproximam gerações, linguagens e repertórios distintos da arte brasileira e contemporânea. São elas “José Adario — Raiz de Ferro”, “Aldir Mendes — Geometrias do Olhar” e “Arte em Grandes Formatos”, que seguem em cartaz até 24 de janeiro de 2027. A entrada é franca.
“A abertura dessas três exposições cria um encontro entre trajetórias, linguagens e universos muito distintos. Ao colocar lado a lado a força ancestral do trabalho de José Adario, a pesquisa de Aldir Mendes e a diversidade de olhares presentes em “Arte em Grandes Formatos”, o museu propõe ao público diferentes caminhos para perceber e discutir a arte contemporânea”, afirma Victor Camarano, coordenador artístico do Museu Inimá de Paula.

Ferro, ancestralidade e o ofício de Zé Diabo
Com curadoria de Alana Silveira, “Raiz de Ferro” apresenta a produção de José Adario dos Santos, conhecido como Zé Diabo, artista cuja trajetória está ligada ao Candomblé e ao ofício de ferreiro. Há mais de cinco décadas ele produz ferramentas sagradas dos orixás, esculturas, portões e instrumentos de percussão.
No trabalho dele, o ferro articula o conhecimento do ofício e referências da cosmologia do Candomblé e da arte iorubá. As peças funcionam como elementos de mediação entre os seres humanos e as divindades e, ao mesmo tempo, preservam e atualizam saberes da tradição afro-diaspórica.

Nascido no bairro da Caixa d’Água, em Salvador, Adario teve contato com o ofício aos 8 anos. Aos 11, passou a frequentar a oficina de Maximiano Prates, na Ladeira da Conceição da Praia, onde trabalha até hoje. A mostra parte de uma pesquisa de quatro anos feita pela curadora, que conviveu com o artista durante o processo. Em 2023, ele recebeu o Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes.
Aldir Mendes: da medicina à pintura
“Geometrias do Olhar” reúne a produção de Aldir Mendes de Souza, que conciliou a medicina com uma trajetória de mais de quatro décadas nas artes visuais. Autodidata, começou a expor em 1962 e desenvolveu uma pesquisa centrada na pintura, com passagens pela performance e por experimentações com diferentes materiais.

Nos anos 1960 e 1970, suas experiências incluíram o uso de radiografias e termografias. Em 1969, passou a trabalhar com tinta a óleo sobre tela e recebeu o primeiro Prêmio Aquisição/Pintura do 26º Salão de Arte Paranaense. Diagnosticado com leucemia em 2006, incorporou a vivência da doença à série “Campos de Batalha”. O artista morreu em 2007, aos 65 anos.
Cor, memória e identidade em grandes formatos
“Arte em Grandes Formatos” reúne Luiz Zerbini, Lauren Quin e Aislan Pankararu, artistas de repertórios distintos que aproximam pesquisas sobre cor e abstração de questões ligadas à memória e à identidade. Considerado um dos principais representantes da Geração 80 da arte brasileira, Zerbini cria composições em que elementos orgânicos e geométricos convivem com padrões, texturas, grades, repetições e ritmos cromáticos, revisitando da pintura de paisagem à abstração geométrica e às representações da identidade coletiva.

Suas obras integram coleções públicas como as do Inhotim, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Itaú Cultural. Em 1995, recebeu o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte na categoria de artes visuais.
Nascida em Los Angeles, Lauren Quin encara a pintura como um processo de investigação contínua. Suas telas são formadas por formas dinâmicas e intensamente cromáticas, que se repetem, se interceptam e se reconectam, a partir de um arquivo de imagens em constante transformação que alimenta também seus desenhos, gravuras e esculturas. Formada em Belas Artes pela Escola do Instituto de Arte de Chicago em 2015, concluiu o mestrado em Belas Artes na Escola de Arte de Yale em 2019.

Aislan Pankararu nasceu em Petrolândia, Pernambuco, em 1990, e integra o povo indígena Pankararu. Em 2019, quando estava prestes a concluir a formação em Medicina pela Universidade de Brasília, retomou a prática do desenho, que fazia parte de sua infância. Memória e ancestralidade Pankararu estão no centro de sua produção: em desenhos, pinturas, instalações e esculturas, ele usa referências da pintura corporal de seu povo e materiais e elementos relacionados aos rituais e à paisagem da caatinga, abordando temas como resistência, cosmologia e identidade.
Serviço
As três exposições ficam em cartaz de 30 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027 no Museu Inimá de Paula — Rua da Bahia, 1.201, Centro, Belo Horizonte (MG). A entrada é franca. O museu mantém ainda o acervo permanente do artista mineiro Inimá de Paula, a remontagem de seu ateliê, a Sala de Autorretratos e uma galeria virtual com as obras catalogadas. O perfil do espaço no Instagram é @museuinimadepaula.
Inaugurado em 2008 em um prédio histórico da Rua da Bahia, o museu é gerido pela Fundação Inimá de Paula e ocupa mais de 3 mil metros quadrados. O edifício, que já abrigou o Clube Belo Horizonte e o Cine Guarani, passou por restauração e remodelação antes de se tornar espaço cultural voltado à arte, à história e à memória.



