O CURA – Festival de Arte Urbana anunciou sua edição de 2026, que acontece de 19 a 30 de agosto em Belo Horizonte. Será a última edição do festival na Praça Raul Soares, território que ocupa desde 2021 e que transformou em um dos principais conjuntos de arte pública a céu aberto do país. A despedida marca também a preparação para 2027, quando o festival completa uma década.
O tema da edição é “Descansar Enquanto”. Em uma sociedade atravessada pelo excesso de estímulos, informações e urgências, o festival propõe o descanso não como pausa, mas como posicionamento: um direito ainda não garantido, atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe. A reflexão dialoga com o livro “Descansar é Resistir”, da norte-americana Tricia Hersey, para quem o descanso é uma recusa ativa às estruturas que operam pela exaustão.


Pela primeira vez, o conceito curatorial foi construído coletivamente. O festival criou uma Comissão Criativa formada pela curadora convidada Luciara Ribeiro, da Bahia, e por pessoas que pensam, vivem e pesquisam Belo Horizonte: integrantes de coletivos, pesquisadores, produtores e agentes culturais — Alex Bessas, Filipe Thales, Ed Marte, Brisa Marques, Binho Barreto, Márcia Cruz, Priscila Musa, Vanessa Beco, Daru Tikuna, PDR e Victor Diniz — que se reuniram no início do ano para desenhar a edição.
“Passamos os últimos anos escutando a Raul Soares. Encerrar esse ciclo em coletivo, falando de descanso, é coerente com tudo o que a praça nos ensinou: a cidade também precisa respirar”, afirma Priscila Amoni, uma das idealizadoras do festival, que junto a Janaína Macruz está à frente do Instituto CURA.


Criado e dirigido por mulheres, o CURA chega a 2026 com equipe majoritariamente feminina. As pinturas começam no dia 19 de agosto e podem ser acompanhadas pelo público diretamente da praça, já que ver a obra nascer na fachada é parte da experiência do festival. De 26 a 30 de agosto, a programação aberta ocupa a Raul Soares e outros espaços da cidade com atrações que unem arte, música, esporte e convivência, incluindo o highline entre os prédios do hipercentro. Os nomes dos artistas que assinam as obras desta edição, assim como a programação completa, serão divulgados em agosto.
Criado em Belo Horizonte, o CURA é um dos principais festivais de arte pública da América Latina, com 11 edições realizadas, oito delas na capital mineira. O festival já pintou mais de 33 empenas e inaugurou três mirantes de arte urbana na cidade, na Rua Sapucaí, na Lagoinha e na Praça Raul Soares. O trabalho se expandiu para o Instituto CURA, que também atua pelo CURA Amazônia, responsável pela maior coleção de arte indígena do mundo em grandes prédios, formada em Manaus, e pelo CURA MACRO, em Nova Lima, maior macromural do Brasil, com mais de 150 casas pintadas ao lado do coletivo MAHKU.
O evento é gratuito. A realização é do Instituto CURA e do Ministério da Cultura, com produção da AGUA – Agência Urbana de Arte.



