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Práticas simples podem evitar óbitos de mulheres após parto

 
MORTALIDADE MATERNA PODE SER EVITADA
Práticas simples podem evitar parte dos óbitos de mulheres após parto

 
Nos últimos 20 anos, o índice de mortalidade de mulheres por complicações na gravidez e no parto caiu 51% no Brasil. Os dados são do relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Fundo de População das Nações Unidas e do Banco Mundial. Somente em 2011, segundo o Ministério da Saúde, a queda foi de 21%, se comparado ao ano anterior.

Atualmente a taxa brasileira é de 68 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos, um resultado positivo, mas ainda preocupante. A meta do Milênio, estipulada pelas Nações Unidas, é chegar até 2015 com 35 mortes a cada 100 mil.

De acordo com o médicos e membros da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Frederico Amedee Péret e Regina Amélia Aguiar, a maioria dessas mortes poderia ser evitada. “A constatação dos sintomas que podem levar ao óbito e o tratamento imediato e adequado para eles, podem significar uma redução drástica nos números brasileiros e uma nova vida para essas mulheres”, afirmam.

A pré-eclâmpsia é uma das doenças que mais afeta as gestantes brasileiras. Quando a pressão arterial ultrapassa 160×110 mmhg, é hora de o médico agir, para evitar hemorragias e outros problemas. “Nenhuma gestante será prejudicada por receber uma dose de cinco a 10 mg de medicamento, por via venosa, para controlar a pressão. Portanto, não há razão para atrasar o tratamento, que deve ser feito como uma resposta imediata a situação”, explicam os médicos.

Regina recomenda que as mulheres que possuem qualquer tipo de cardiopatia devem manter um acompanhamento com especialista durante toda a gestação, visto que poucos obstetras e cardiologistas têm experiência suficiente com doença cardíaca complexa na gravidez. “Apesar das cardiopatias na gravidez não serem tão frequentes, elas são importante causa de mortalidade, por isso a necessidade do acompanhamento. Sem contar que, muitas condições que se encontravam estáveis por anos, podem apresentar descompensações durante o período”.

Regina também destaca a importância de nunca tratar a hemorragia pós parto sem um diagnóstico clínico ao mesmo tempo. Uma vez que somente a hemorragia não é um diagnóstico, mas sim um sintoma clínico e que precisa ser investigado. “Entre as causas possíveis podem estar atonia uterina, retenção placentária, acretismo placentário, lacerações de trato genital e coagulopatia. Portanto, realizar o diagnóstico da causa é essencial, pois serão exigidos tratamentos diferentes”, informa.

Esses são apenas alguns dos muitos fatores que podem levar ao óbito materno. “É importante que o médico responsável pela paciente avalie cada caso e não demore em tomar as devidas providências para salvar vida de mãe e criança. Seria interessante que todos os obstetras considerassem a incorporação dessas abordagens na prática clínica, já que lutamos pela vida”, ressalta Péret.