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Vergonha e/ou medo da falta de sigilo podem induzir médicos a diagnósticos errad

Mentiras no consultório comprometem a saúde dos pacientes 
Vergonha e/ou medo da falta de sigilo podem induzir médicos a diagnósticos errados
 
 
O ato de mentir durante consulta médica é mais comum e perigoso do que se imagina. Segundo o médico clínico Telmo Diniz, durante a consulta, o médico realiza perguntas sobre os sintomas e a saúde do paciente, é como uma investigação. O médico precisa saber sobre doenças preexistentes na família do paciente, que podem alterar o tratamento. As informações detalhadas também são fundamentais na solicitação dos exames diagnósticos e, até mesmo, para indicar ao paciente procurar um especialista. O problema é que, segundo o médico, a maioria dos pacientes se sente desconfortável para responder algumas questões, consideradas íntimas, por isso, acabam mentindo.
 
Segundo Diniz uma mentira muito comum nos consultórios é relativa à adesão de dietas e exercícios. “Quando o paciente está com alguma doença, na qual é necessário ter uma dieta especial, ou quando está com sobre peso, é comum o paciente retornar ao consultório com as mesmas queixas, pesos e medidas da primeira consulta. E ainda dizem que a dieta foi inadequada, quando na verdade, na maioria dos casos, o paciente não segue as orientações e têm vergonha de admitir”, afirma.
 
Em casos cirúrgicos as mentira pode ser ainda mais arriscada. Fumantes têm um risco maior durante intervenções cirúrgicas devido ao comprometimento da circulação e cicatrização causadas pelo tabaco. “Muitos pacientes têm acesso a essa informação e quando querem fazer cirurgias estéticas ou precisam de uma cirurgia por questão de saúde, omitem e até mesmo mentem para o médico que o acompanha, para o cirurgião e o anestesista”, observa o clínico. Ele alertou que o paciente não deve em hipótese alguma omitir dados e históricos. Afinal, cabe ao médico avaliar o que deve fazer para proteger ao máximo a saúde do paciente. “Passando a informação o paciente não corre risco algum. Se precisa passar pela intervenção cirúrgica, o médico estará preparado para as reações que o corpo pode ter devido aos agentes externos”, esclarece. 
 
Outro problema informado por Diniz é quando o paciente mente sobre o uso de medicações. Ele destacou que, mesmo quando faz uso de algum remédio sem prescrição, o paciente deve informar durante a consulta. Quando o médico prescreve um tratamento precisa selecionar medicamentos que não interajam entre si ou que interajam o mínimo possível, para evitar a neutralização dos ativos e efeitos colaterais como náuseas, cefaléias e até mesmo hemorragias.
 
Segundo o médico as mentiras não param por aqui, no entanto, ele destaca que não cabe ao médico julgar os erros dos pacientes e sim orienta-los. “O médico precisa dar segurança ao paciente, para que ele se sinta a vontade para conversar e relatar o que sente e como vive”. O clínico acrescenta que não é necessário ter vergonha, nem medo de informar seu histórico ao médico. “O médico tem um compromisso ético, que resguarda o sigilo das informações dos pacientes”.
 
Os problemas de saúde da sociedade da informação
Segundo Diniz, é muito comum pacientes chegarem ao consultório informando ao médico o seu diagnóstico e até mesmo tratamento. “A cultura da automedicação e de procurar informações na internet antes de consultar os médicos são os principais indicativos para esses casos”, afirma. Ainda segundo Diniz, essas também são as causas do crescimento das doenças autosugestivas — quando o paciente se impressiona com doenças de amigos, familiares e até mesmo casos sobre os quais leu em jornais e acreditam tanto que possuem o mal que começa a sentir os sintomas.
 
Os enganos dos planos de saúde e do SUS
Diante de um cenário de consultas cada vez mais rápidas, pré-estipuladas por determinações de empresas de saúde, o médico conhece cada vez menos os seus pacientes, o que segundo Diniz, leva ao profissional recorrer muitas vezes a exames diagnósticos errados e até mesmo desnecessários. “É preciso resgatar a história do médico da família, aquele que atuava no interior dos estados e atendia vários membros de uma mesma família. Não estou aqui reforçando que as pessoas devem consultar com apenas um especialista, mas sim, que precisam tem uma relação mais sólida com seus médicos”, conclui.
 
Diniz disse ainda que, a era dos médicos clínicos que só de olhar para um paciente já sabia o diagnóstico e fazia exames apenas para comprovar as suas suspeitas não pode acabar. “O que a sociedade precisa é de médicos experientes, que sejam especialistas e ao mesmo tempo generalistas. Que entendam que o paciente faz parte de um organismo complexo e que não é apenas, uma perna, um coração doente ou um rim inflamado”, finaliza.